SITUAÇÃO NO BRASIL DE PESSOAS COM LIMITAÇÃO

Rafael Venardos

No Brasil, quase 24% da população possui alguma deficiência e estes são colocados à margem da sociedade, visto que necessitam de algumas condições diferentes. Além disso, uma outra parcela da sociedade sofre o mesmo problema, os idosos, que são mais de 30,2 milhões no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2017.

Entretanto, a Constituição prevê que haja igualdade material entre todos, e para que isso aconteça, é responsabilidade do Poder Executivo criar políticas públicas que garantam que pessoas que enfrentam situações desiguais consigam alcançar os mesmos objetivos. 

Em um contexto onde o líder do Poder Executivo coloca questões sociais como segundo plano, a visão que estava amadurecendo da naturalização do conceito de deficiência, superando a concepção ultrapassada de negação e exclusão desse grupo da comunidade social, é deixada de background no plano de governo.

Para vivermos em um contexto de plena liberdade e bem-estar de todos, é dever da sociedade respeita-los, não é um favor que fazemos, pois para que a meritocracia exista do jeito que é previsto, todos devem partir do mesmo degrau para uma competição justa. Contudo, nem sempre eles são respeitados, como nos exemplos a seguir.

Deficiente Visual

Segundo a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Tarsila Costa d’Amaral, citou um exemplo onde uma estudante com deficiência visual não conseguiu resolver a prova visto que a letra tinha uma fonte pequena, e quando questionada pela aluna para aumentar a fonte, a professora se negou. Muitas propostas são sugeridas, contudo, poucas possuem algum resultado.

Segundo uma pesquisa feita pela equipe do G1, 57% dos deficientes disseram já terem sido vítimas de bullying no ambiente de trabalho, sendo alguns casos de dificuldade para serem promovidos ou até mesmo isolamento e rejeição do grupo.

Em contrapartida, o governo criou em 2011 um programa denominado Viver Sem Limites com o objetivo de implementar novas iniciativas e intensificar ações que atualmente, já são desenvolvidas, mas com certa deficiência. Com a implementação desse programa, o consciente do brasileiro deve sair da lógica de que deficientes tem benefícios e sim que seus direitos estão sendo garantidos.

Para vivermos em um contexto de plena liberdade e bem-estar de todos, é dever da sociedade respeita-los, não é um favor que fazemos, pois para que a meritocracia exista do jeito que é previsto, todos devem partir do mesmo degrau para uma competição justa

Idosos

Ademais, os deficientes não são os únicos que são jogados a margem e excluídos da sociedade pelos mesmos. Com um número de aproximadamente 30,2 milhões de idosos no país, estes estão sem alternativa para sobreviver, pois o houve um péssimo planejamento em relação ao aumento da expectativa de vida, acarretando na falta de poupança para garantir uma boa velhice à estes. 

E quando eles procuram uma alternativa para não precisarem viver às custas do governo, a sociedade não permite, afirmando que eles não possuem o mesmo ânimo e vontade para trabalhar igual antigamente, além de que os padrões do mercado aumentaram, dificultando assim a volta dos idosos ao mercado de trabalho.

E em consequência dessa exclusão, estatísticas de mortalidade em relação a solidão é tão prejudicial quanto ser alcóolico ou fumar 15 cigarros por dia, segundo uma pesquisa da Universidade de Brigham Young nos Estados Unidos. Ela afirma que a solidão aumenta em 32% o risco de acidentes vasculares e 29% de doenças coronarianas.

Por fim, é direito da pessoa com alguma limitação viver em um ambiente em que ela possa desenvolver suas habilidades sem depender de terceiros, desenvolvendo-se por contra própria. 

E é responsabilidade do governo garantir esse bem-estar, majoritariamente por meio da elaboração e implementação de políticas públicas, formulados por todas as esferas, sendo a sociedade civil uma das mais importantes. 

Apenas assim, com um longo desenvolvimento de políticas e constantes debates, os cidadãos com alguma limitação deixarão de lado essa status de vulneráveis frente a sociedade.

 

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