Por que o BIM é Futuro da Construção Civil?

Fabiana Satiko Ohi

imagem contém as palavras que compõem a sigla BIM e outras relacionadas

A indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) tem se tornado cada vez mais complexa e competitiva. À vista disso, novos modos de se projetar se tornaram necessárias, abandonando alguns os métodos e ferramentas tradicionalmente utilizados. E um dos mais comentados atualmente, considerado um avanço, é o BIM.

O que é BIM?

Tem quem acredite que BIM se trata de um software, sendo muito confundido com o Revit. Entretanto, BIM (Building Information Modeling) ou, em português, Modelagem da Informação da Construção, é um processo iniciado a partir da criação de um modelo 3D inteligente.

Essa metodologia reúne uma grande quantidade de informações, o que faz os modelos virtuais se aproximarem ao máximo da realidade. Ele pode ser aplicado em todo o ciclo de vida da construção, e possibilita planejar, projetar, construir e gerenciar de modo mais eficiente. Ações de gerenciamento da documentação, coordenação e simulação se tornam viáveis com a Modelagem da Informação e Construção.

O BIM possui 7 dimensões, que são diferentes níveis de maturidade que aprimoram os dados associados a um modelo. Três dimensões, geometricamente, são suficientes para criar um projeto. Porém, à medida que um tipo específico de informação é adicionado, uma nova dimensão é definida.

Sendo assim, as dimensões da metodologia BIM são:

  • 3D: Modelagem paramétrica
  • 4D: Tempo
  • 5D: Análise de custos
  • 6D: Avaliação da sustentabilidade
  • 7D: Gestão e manutenção das instalações
  • 8D: Segurança

E como citado anteriormente, o BIM não é um software. Entretanto, há diversos softwares que aplicam o seu conceito como o Revit, ArchiCAD, Vectorworks Architect, QiBuilder, entre outros. E cada um possui características específicas que os diferenciam.

Entendi, mas por que ele é o futuro?

Há diversos motivos os quais estão fazendo profissionais do mundo inteiro começarem a adotar o Building Information Modeling e definirem ele como o futuro da construção civil. Sendo algum deles:

Imagem contém um projeto feito em BIM e foi realizada uma maquete e outras relacionadas

Visualização 3D

Por não se tratar de apenas projetos em 2D, sua visualização é demasiadamente facilitada. Entretanto, cada objeto modelado aceita diversos parâmetros e informações que podem ser agregados por todos os profissionais. Ou seja, não é apenas uma “representação volumétrica”, mas também transmitem mais informações do que apenas sua aparência e forma.

Ademais, em alguns casos já é possível aplicar tecnologias como a realidade virtual, que permite que o projetista e o cliente visualizem um projeto de maneira mais realística do que um modelo 3D no computador. Ou a realidade aumentada, que possibilita replicar os projetos virtuais em 3D à realidade do canteiro de obras, melhorando a compreensão do projeto e facilitando sua execução.

Simulações

Alguns softwares BIM permitem que sejam feitas simulações de como as obras serão realizadas dia a dia. Com isso, é possível analisar potenciais problemas que podem surgir e oportunidades de melhorias. Além disso, é possível realizar essas simulações contemplando diferentes cenários, considerando as influências, como o ganho de calor. Com isso, é possível descartar ideias, fazer modificações e resolver problemas. Ou seja, essas simulações ajudam na prevenção de erros e facilitam a tomadas de decisões.

Multidisciplinaridade

Por ser um processo que reúne informações sobre todo o projeto, permite que o mesmo seja feito de maneira colaborativa. Com o BIM, tudo está no mesmo lugar à disposição dos profissionais de várias disciplinas (arquitetura, estrutural, instalações hidráulicas, elétricas, etc).

Uma modificação em um dos projetos, por exemplo o elétrico, é capaz de ser transmitida para as demais áreas. Todas as informações, como medidas, materiais e especificações são atualizadas. Consequentemente, os erros por falta de compatibilidade são amenizados e a comunicação entre setores é facilitada, ajudando ainda mais na tomada de decisões.

Além disso, por alguns softwares permitirem que o projeto seja feito na nuvem, qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, conectado a internet possui acesso ao projeto. Isso gera certa independência dos profissionais, já que não necessitam esperar o término de uma das áreas ou aguardar o envio do projeto para iniciar o trabalho ou visualizar o modelo.

Detecção de conflitos (Clash Detection)

Como o sistema de várias disciplinas podem ser reunidos e comparadas, as interferências são detectadas de por meio de uma abordagem automatizada e computacional. O que previne erros e permite a correção de inconsistências antes mesmo do início da obra, durante a fase de planejamento. Ou seja, o BIM reduz os erros de compatibilidade e imprevistos.

Ademais, quanto mais cedo os problemas são detectados, maiores são a possibilidade e facilidade de resolvê-los e assim, menores serão os custos. Alguns softwares classificam os clash de acordo com sua gravidade. Quanto mais grave um erro é, caso ele passe desapercebido, maior será o custo para resolver o problema.

Redução do tempo de trabalho

Fora o gerenciamento do tempo, pontuado na 4ª dimensão, devido a programação de dados que ajudam a estimar quanto tempo será necessário para a instalação e construção. Como os objetos inseridos nos projetos são controlados por regras paramétricas, não há a necessidade do constante gerenciamento das alterações. É possível realizar cortes com apenas um clique, que ao ser feita alguma mudança, todas as vistas são alteradas de maneira simultânea.

Além disso, pelo fato de os erros serem detectados mais facilmente, costumam ser percebidos logo no início. Dessa forma, são resolvidos de maneira mais rápida e sem a necessidade de grandes alterações ou o reinício do trabalho, o que leva à uma economia de tempo.

E por juntar os trabalhos de profissionais de diversas áreas, a produtividade aumenta. Então o BIM basicamente ajuda adiantar o cronograma do projeto e gerenciá-lo.

Estimação dos custos

O custo é um dos elementos mais importantes de um projeto e está relacionado à 5ª dimensão. A precificação no processo BIM não é feita apenas de materiais básicos. É possível extrair o custo de todos os objetos contidos no modelo, permitindo a realização de uma estimativa muito mais precisa.

Desse modo, há um maior controle sobre as mudanças de material, equipamentos instalações, etc. Isso permite um ganho de eficiência e que o projeto permaneça dentro do limite orçamentário estabelecido pelo cliente. Ou seja, ele minimiza as inconsistências orçamentarias.

Eficiência energética e sustentabilidade

Relacionada a 6ª dimensão, o BIM permite avaliar o desempenho energético da construção ainda nas primeiras fases do projeto. Ao contrário das ferramentas tradicionais 2D, que é possível apenas ao final do projeto e de maneira mais separada.

E como dito anteriormente, é possível a realização de simulações, como de cargas térmicas, iluminação, de energia, entre outros. Isso torna possível um planejamento mais eficiente, de modo que pequenas alterações podem resultar em economias e um edifício mais sustentável.

Isto é, caso seja necessária uma simples modificação, como rotacionar um edifício 10° para melhor aproveitamento da luz solar, ela é detectada antes da execução. Essas ferramentas de análise ocasionam um aumento da qualidade e eficiência das edificações.

Ademais, pela grande quantidade de dados que o modelo BIM possui, inclusive dos materiais utilizados no projeto, muitas vezes é possível supor qual será a vida útil de determinadas instalações e objetos. Posto isso, pode-se analisar qual é a opção mais eficiente e que não gerará tantos problemas no futuro ou necessitará de manutenção constante.

BIM no Brasil

Em 2018 o Governo Federal lançou a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM, a Estratégia Bim BR, que possui como finalidade promover um ambiente adequado ao investimento BIM e sua difusão no Brasil. Nela foi estabelecida a obrigatoriedade do uso da tecnologia BIM em projetos de obras públicas.

Com sua aplicação, eles buscam uma construção mais inteligente, ganho de qualidade nas obras públicas, transparência no processos licitatórios, controle de gastos, combate ao superfaturamento, redução de resíduos sólidos, etc.

Uma pesquisa feita pela FGV, juntamente com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), realizada em março de 2018 com 700 empresas de construção, apontou que no país, apenas 9,2% das empresas adotaram o BIM e de que a meta em 2028 seria 80%. Ou seja, no Brasil o uso desse processo é baixo e desigual.

BIM no mundo

Muito antes do Brasil, os Estados Unidos em 2003 criou um programa nacional incentivando o uso do BIM. E em 2006 passaram a exigir sua utilização nos novos edifícios públicos.

No Reino Unido, por sua vez, em 2012 estava na fase 1 de colaboração parcial e em 2016, já no nível 2, passou a exigir o uso da metodologia em toda a obra pública.

Singapura foi um dos primeiros países a implementar o BIM. De maneira gradual, passou a exigir entre 2008 e 2015, quando passou a cobrar o uso em obrar com mais de 5 mil metros quadrados.

Conclusão

O engenheiro do futuro, assim como a maioria dos profissionais, deve ser um bom gestor, portanto deve absorver as informações e resolver problemas. A Modelagem da Informação da Construção pode ser o caminho.

O BIM é uma inovação e uma nova maneira de se trabalhar. Ele não é apenas o futuro, mas o presente também. Já que são a realidade de diversos escritórios no Brasil e no mundo. E embora o setor da construção civil ainda seja muito tradicional e resistente a mudanças, é notável a incorporação crescente e rápida desse processo.

Os programas CAD ainda são muito utilizados na indústria de construção. E apesar de haver esse avanço, eles não irão sumir, mas terão papel secundário para agregar todas as funcionalidades do BIM, que passará a ter o papel principal.

Além de um cliente cada vez mais exigente, há a necessidade de velocidade e redução de custos e resíduos, isto é, não há espaço para erros. Portanto, se você não deseja ficar para trás deverá se atualizar e começar a aplicar o BIM.

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